segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

PAIGC ARRASA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA> Tirado do Blog de Aly Silva

PARTIDO AFRICANO PARA A INDEPENDÊNCIA DA GUINÉ E CABO-VERDE
SECRETARIADO NACIONAL
Comunicado de Imprensa

PARA UMA INTERPRETAÇÃO DA CONFERÊNCIA DE ABUJA

Para o PAIGC não constituiu surpresa o que se passou ontem na capital da Nigéria, Abuja, na presença dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO.

De há muito o Partido vinha alertando a comunidade nacional e internacional para a irresponsabilidade de um Chefe de Estado que não olha a meios para atingir os seus fins, assessorado por um conjunto de pessoas cujo único propósito é acaparar-se do poder que pertence a DSP e ao PAIGC, Partido de Cabral, para o entregar a uma oposição decrépita, sem mérito nem rumo, oportunista e corrupta.

Só que desta feita, o Presidente da República foi longe demais.

Ao permitir que a Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO concluísse que o Presidente da República da Guiné-Bissau não estava a cumprir o Acordo de Conakri, José Mário Vaz colocou o seu cargo e imagem à mercê da chacota internacional, com ele arrastando a imagem do Estado e do Povo da Guiné-Bissau.

Afinal, o que disseram os Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO ao nosso Presidente? No vernáculo português Camões e de Bocage disseram: o Presidente da Guiné-Bissau mentiu ao seu Povo. Ao nomear quem nomeou para o cargo de Primeiro-Ministro o Presidente da República não respeitou o consenso alcançado em Conakri, tal como lhe foi transmitido pelo Mediador, o Presidente da República da Guiné, Professor Alfa Condé.

Sabendo o que iria acontecer em Abuja, o Presidente José Mário Vaz não queria participar nesta Cimeira. Queria ser representado pelo “seu” Primeiro-Ministro que já tinha despachado para Abuja. Só que os seus pares disseram-lhe: o que temos para te dizer tem de ser na tua cara. Vamos mandar-te um avião para que não haja desculpas. A CEDEAO quer resolver de vez esta questão, cuja artificialidade é notória.

Esperaram pelo Colega José Mário Vaz, ignorando por completo a presença em Abuja do dito Primeiro-Ministro. É vergonhoso verificar que o Comunicado Final da Conferência nem sequer regista a presença de Umaro Sissoko Embaló em Abuja.

Em momento algum refere o nome de José Mário Vaz, enquanto o nome do Presidente da República da Guiné, SEM Prof. Alfa Condé era referido com respeito e palavras elogiosas e encorajaras pelo bom trabalho de mediação realizado.

Nunca assistimos a tamanha humiliação. A CEDEAO não teve a menor preocupação em dizer frontalmente o que tinha para dizer, desmentindo cabalmente o seu Representante na Guiné-Bissau, o tal DIPLO que havia inventado uma Carta de Conforto para o Governo de Sissoko Embaló.

As regras protocolares que aconselham reserva no relacionamento entre Chefes de Estado foram completamente afastadas para dizerem a JOMAV “Você não está a ser sério, quem tem razão é Alfa Condé, você não tem nenhuma razão”.

Cadê José Mário Vaz o altivo?
Cadê Mário Vaz o todo-poderoso?
Cada o Vaz que manda, faz e desfaz?

Obrigaram-no a aceitar um valente Puxão de Orelhas, do qual dificilmente se poderá recompor.

Ele que foi a Abuja convencido que de lá traria um Voto de Louvor e o acolhimento apoteótico do seu Governo, saiu pela porta do cavalo, envergonhando o seu POVO.

Noutras partes do mundo seria o suficiente para o Presidente da República colocar o seu cargo à disposição, ou para ser iniciado o processo de destituição por indignidade no exercício de funções.

Se o Presidente Mário Vaz não demitir o actual Governo colocará a Guiné-Bissau fora da CEDEAO e da Comunidade Internacional. Não há nada mais claro. A Cimeira exortou o Chefe de Estado da Guiné-Bissau a cumprir o Acordo de Conakry, que não respeitou. O que significa que, se o não fizer não poderá contar com o apoio da sua organização regional.

Aliás, a Conferência já vinha advertindo para a retirada das forças da ECOMIB do nosso país. Agora deu instruções para que essa retirada se comece a fazer a partir de Janeiro de 2017.

Qual o significado desta declaração? Muito simples. Disseram a José Mário Vaz: “Senhor Presidente da República, estamos cansados. A partir de Março de 2017, fiquem com o vosso país e façam o que bem entenderem. Não temos mais dinheiro para gastar em crises artificiais criadas por quem devia ter a responsabilidade de as evitar e resolver”.

O PAIGC aguardará serenamente pelo evoluir da situação, apelando aos seus militantes, simpatizantes e Povo em geral, para que estejam atentos às manobras que o Presidente da República e seus acólitos tentarão promover, na sua lógica obsessiva de preservação do poder. Já todos nos apercebemos que o propósito do Presidente da República e dos seus acólitos é manter a sua equipa no poder custe o que custar, para que no momento das eleições a chave do cofre esteja nas suas mãos, convencidos que com dinheiro conseguem comprar a consciência do Povo.

O PAIGC condena veementemente esta atitude do Presidente da República e dos seus acólitos, o PRS e os ditos 15 deputados, que consubstancia mais uma ignóbil tentativa de conquista do poder por métodos inconstitucionais e antidemocráticos.

O PAIGC proclama solenemente a sua adesão ao princípio de que o poder se alcança de forma democrática nas urnas, com projecto de sociedade válido e credível, nunca aceitando abdicar dos princípios e valores fundamentais que caracterizam a sua acção para alcançar os seus objectivos.

Como ficou mais uma vez demonstrado, a força da razão acaba sempre por vencer a razão da força.

Bissau, 18 de Dezembro de 2016
O Secretariado Nacional do PAIGC