segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Governo de Umaro Sissoko, 37 membros...ainda há quem pensa que o PAIGC não tem razão



Decreto presidencial anuncia 5.º governo da Guiné-Bissau em dois anos e meio
O novo Governo da Guiné-Bissau, o quinto em dois anos e meio de legislatura, foi anunciado hoje por decreto presidencial e conta com 24 ministérios e 13 secretarias de Estado.
Jorge Malú, antigo presidente do parlamento da Guiné-Bissau, é o novo ministro dos Negócios Estrangeiros e entra para o executivo liderado por Sissoco Embaló na quota do Partido da Renovação Social (PRS), a segunda força mais votada nas últimas eleições legislativas guineenses, em 2014.
O novo elenco não conta com nomes indicados oficialmente pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), vencedor das últimas legislativas, mas que tem sido arredado do poder devido a divergências com o chefe de Estado.
No entanto, o Governo tem algumas figuras do PAIGC, casos de Malal Sané, que volta a ocupar a pasta da presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares, Botche Candé, ministro do Interior, e de Aristides Ocante da Silva, ministro dos Combatentes.
Os três têm o título de ministros de Estado, tal como o secretário-geral do PRS, Florentino Pereira, que volta a assumir a pasta da Energia e da Indústria, e João Fadia, que deixa a direção do Banco Central dos Estados da Africa Ocidental (BCEAO) na Guiné-Bissau para chefiar o Ministério da Economia e das Finanças.
A equipa inclui o porta-voz do Governo de transição que se seguiu ao golpe militar de 2012: Fernando Vaz volta ao executivo para liderar a pasta do Turismo e Artesanato.
O ex-vice Procurador-Geral guineense, Rui Sanhá, é o novo titular da pasta da Justiça e o antigo ministro das Finanças Victor Mandinga é o responsável pelo Comércio e Promoção Empresarial.
O Governo de Umaro Sissoco Embaló conta, no essencial, com o grosso dos elementos do executivo de Baciro Djá, demitido a 15 de novembro passado, casos de Eduardo Sanhá, que mantém a pasta de ministro da Defesa, Sandji Fati, na Educação, ou Vitor Pereira, na Comunicação Social.
Outros responsáveis que estavam na equipa de Baciro Djá continuam em funções embora mudando de pastas.
Elisabete Yala, a viúva do ex-Presidente guineense Kumba Ialá, entra pela primeira vez para um cargo no Governo, ocupando a pasta de secretária de Estado do Ensino Superior e Investigação Cientifica.
Marciano Barbeiro deixa o cargo de chefe da Casa Civil do Presidente da República para ser ministro das Obras Públicas, Construção e Urbanismo.
Nenhuma das cinco mulheres que estão no Governo ocupam o cargo de ministra, sendo todas secretárias de Estado.
O PAIGC não aceitou integrar o Governo, apesar de ter vencido as eleições legislativas de 2014 com maioria absoluta, por considerar que o novo executivo resulta de uma iniciativa presidencial contrária ao acordo político de Conacri assinado pelos dirigentes guineenses em outubro passado.
O acordo foi mediado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que vai revelar numa cimeira de chefes de Estado, a realizar no sábado, qual foi o nome escolhido na altura para primeiro-ministro de consenso.
O presidente do Parlamento da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, reuniu-se na última semana com o mediador, o presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, e na sexta-feira pediu que nenhum dirigente político tomasse novas posições até ao anúncio agendado para sábado "para facilitar a tarefa da CEDEAO" na mediação da crise.
LUSA