sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, partido vencedor das últimas eleições legislativas na Guiné-Bissau, mas arredado do poder, anunciou hoje esperar firmeza da organização sub-regional, CEDEAO, para acabar com a crise política no país.


O líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) manteve hoje um encontro com os militantes e dirigentes do partido, em Bissau, para lhes dar conta dos resultados de um périplo a vários países africanos.
Dos encontros Domingos Simões Pereira disse estar convicto de que a Comunidade Económica de Estados da Africa Ocidental (CEDEAO) irá tomar "medidas necessárias" para acabar com a crise política na Guiné-Bissau.
Para o líder do PAIGC, a CEDEAO não tem outra medida a tomar que não seja ser firme e determinado perante o que diz ser "golpe de Estado constitucional" na Guiné-Bissau, onde afirmou, o Presidente da República se recusa a cumprir com os compromissos assumidos perante a comunidade internacional.
Num discurso em crioulo, Domingos Simões Pereira referia-se ao Acordo de Conacri, um instrumento proposto pela CEDEAO para acabar com a crise política que assola a Guiné-Bissau há cerca de dois anos.
Quatro dos cinco partidos com assento no Parlamento guineense acusam o chefe do Estado, José Mário Vaz, de não respeitar o Acordo de Conacri, ao nomear Umaro Sissoco Embaló primeiro-ministro.
Por ter um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o líder do PAIGC entende que não restaram à organização africana outra saída que não seja exigir o Presidente guineense "o cumprimento na íntegra" do Acordo de Conacri, frisou.
O Acordo propunha, entre outros pontos, que o governo a ser formado na Guiné-Bissau teria que ser inclusivo e que o primeiro-ministro fosse uma figura de consenso dos partidos representados no Parlamento e ainda que fosse alguém de confiança do chefe do Estado.
Os quatro partidos que se recusaram integrar o Governo acusam José Mário Vaz de nomear Sissoco Embalo na base de confiança pessoal mas sem que este fosse de consenso.
Na última cimeira de chefes de Estado e de Governos da CEDEAO realizada no passado dia 18 na Nigéria, a organização instou o Presidente guineense a cumprir e fazer cumprir na íntegra o Acordo de Conacri que diz ser instrumento capaz de tirar a Guiné-Bissau da crise política.
LUSA