segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Discordo do silêncio do Presidente da República

Se o Presidente da República é o Garante da Constituição da República, isso significa que tem a competência, ainda que implícita, para fiscalizar os demais órgãos de soberania, em matéria de cumprimentos e incumprimentos constitucionais, mas também, de assumir que deve ser ele próprio, o primeiro exemplo de respeito, cumprimento e garantia da Constituição da República!
Discordo do silêncio do Presidente da República ao longo de todo este acentuar de crise política, pois a ele cabe harmonizar a Sociedade, através das suas intervenções pontuais, face a uma crise que continua a dividir os guineenses e a desgastar a Guiné-Bissau.

Se o Presidente da República é o Chefe de Estado, Símbolo da Unidade Nacional e Garante da Constituição, não deve permitir que estratégias da sua agenda ponham em causa a Unidade Nacional, bem como a essência do Estado de Direito e Democrático que formalmente é a Guiné-Bissau, ao deixar o Povo e a Sociedade entre incertezas face a desinformações de toda a espécie, quando bastava, de forma institucional, orientar o seu Gabinete de Informação e Comunicação no sentido de informar e esclarecer o Povo e a Sociedade sobre o estado do nosso Estado.
Uma das consequências deste desleixo do Presidente da República é precisamente a reacção de camadas da sociedade, ainda que possamos considerar haver manipulação e influência política na forma como alguns grupos, reunidos em forma de Movimentos Cívicos, reivindicam suas pretensões.
O Presidente da República ao manter-se em silêncio quando deveria ser interactivo, também contribuiu para o acentuar da disputa social, entre irmãos guineenses desavindos com esta crise.
O Presidente da República tem que ser dinâmico, interventivo quanto baste, sempre que o Interesse Nacional está em causa e a divisão do nosso povo é algo que o Presidente da República não deve permitir, enquanto Chefe do Estado, Símbolo da Unidade Nacional e Garante da Constituição da República.
Espero que o Presidente da República saiba ter em conta o estado de divisão social entre Guineenses e se proponha a trabalhar na reconciliação social, quiçá, na harmonização do nosso Povo desavindo!
Positiva e construtivamente.
Didinho 14.11.2016