segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Crise política

Por, jornalista Braima Darame
A Guiné-Bissau terá o seu quinto governo nesta oitava legislatura, que será chefiado por uma figura independente a residir no estrangeiro [não é Carlos Lopes], soube a Rádio Jovem de fonte oficial.
A mesma fonte junto das Nações Unidas em Nova Iorque disse que os signatários do acordo da CEDEAO serão informados dessa intenção na reunião desta terça-feira, 11 de Outubro, a ter lugar em Conacri.
Contrariamente ao que o PAIGC, o PRS, o grupo dos quinze deputados e o ainda Primeiro-ministro defendem, as Nações Unidas é que estão de facto a liderar o processo de estabilização política do país e pretendem trazer a Bissau um alto funcionário guineense do organismo internacional, que há muitos anos está ausente da Guiné-Bissau, para liderar o próximo executivo até final da presente legislatura.
Fontes contactadas pela Rádio Jovem confidenciaram que o Presidente da República, José Mário Vaz apoia essa iniciativa, mas pretende que as partes desavindas estejam bem representadas no novo Governo a ser formado por essa figura, cujo nome não podemos revelar por agora.
É a ONU que tem monitorizado todo o processo conduzido no terreno pela CEDEAO. Em termos da substância política e financeira tudo ficou a cargo das Nações Unidas. A CEDEAO apenas está a implementar a proposta.
Nos últimos dias, o Representante residente do Secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau, Sr. Modibo Touré, fez uma digressão pelos países da CEDEAO para reuniões de consulta sobre a proposta apresentada e há mais de quatro dias que fixou-se em Conacri para preparar a reunião desta terça-feira.
Ainda para o cargo de novo Primeiro-ministro há nomes alternativos que perfilam como é o caso de Tcherno Djalo, ex- candidato presidencial e atual conselheiro do Presidente da República, entre outros.
Um observador atento da crise guineense acredita que o encontro de Conacri não trará grandes novidades e não espera bons resultados.
Ora, quanto às movimentações políticas no terreno, o regresso de Carlos Gomes Júnior (“Cadogo”) - para reforçar uma das partes - está cada vez mais perto, de acordo com as nossas fontes próximas do ex-Primeiro-ministro.
Conversamos, sob anonimato, com três amigos próximos/familiares de Cadogo e ficamos a saber que o antigo presidente do PAIGC exilado em Portugal pediu opinião a familiares e pessoas da sua confiança sobre o seu eventual regresso a Bissau.
Uma equipa já está no terreno e – segundo as nossas fontes - prestes a concluir esse processo.